2018: um ano cercado de expectativas

Publicado em 01/01/2018 às 19h15
Contagem de votos na eleição
Contagem de votos na eleiçãoFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Desde as eleições de 2014, na qual a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) saiu vencedora, que se fala sobre a corrida às urnas de 2018. A disputa representaria o fechamento natural de um período de 16 anos do Partido dos Trabalhadores no poder. No entanto, o ciclo petista foi abreviado com o impeachment da ex-chefe do Executivo, em 2016.

A chegada de um novo governo, liderado pelo presidente Michel Temer (PMDB), não diminuiu a expectativa em torno do próximo pleito. A continuidade da crise política, os efeitos das dificuldades econômicas e a desconfiança da população nas instituições impõem ao eleitor a responsabilidade de redefinir a história do País. Na falta de um consenso, muitos nomes se colocam na concorrência pela cadeira da Presidência embaralhando as previsões para a disputa, segundo especialistas.

O cientista político Elton Gomes, da Faculdade Damas, acredita que “a recuperação da crise depende de quem as pessoas vão eleger”. “A democracia não funciona no piloto automático. É preciso que a população participe, fiscalize e acompanhe seus representantes”, alega.

Apesar da expectativa gerada pelas eleições do próximo ano, os mais otimistas com um cenário de mudança podem ter suas esperanças frustradas. Na contramão do debate sobre corrupção, tão entoado nos últimos anos, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta, em pesquisa, que a renovação do Congresso Nacional em 2018 estará abaixo da média de 49%.

O indicativo leva em conta as mudanças da reforma eleitoral, que favoreceram os candidatos com estrutura mais robusta. “Será a primeira eleição com novo modelo de financiamento, com esse fundo de R$ 2 bilhões. A primeira vez sem financiamento privado. Espera-se uma mudança, mas a competição eleitoral nunca é justa do ponto de vista igualitário”, avalia Leon Victor.

A leitura é que a nova legislação favorece os três partidos maiores criando um desequilíbrio da disputa. "É um fundo que beneficia os partidos com representação maior, principalmente, os três grandes partidos - PMDB, PT e PSDB. Essas agremiações vão gastar mais. O tempo de guia eleitoral será muito curto, vão ser 10 minutos de propaganda eleitoral gratuita. As candidaturas dessas siglas terão espaço maior, vão ter cerca de 60% do tempo", avalia Elton Gomes.

O cientista político Rudá Ricci antecipa que, com a baixa renovação do Congresso, o próximo presidente será obrigado a negociar com os parlamentares da forma como Michel Temer vem fazendo, na troca de favores. "O Baixo Clero do Congresso não tem ideologia e eles aprenderam, do Eduardo Cunha para cá, que o voto deles tem valor. Quanto mais fluido for o parlamentar, sem identificação programática, mais ele ganha", analisa Ricci.

Fator Lula
Entre as muitas variáveis que podem influenciar o jogo político, especialistas imputam ao julgamento do ex-presidente Lula (PT), em 24 de janeiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), uma importância chave para a disputa. Lula, hoje, lidera as pesquisas de intenção de voto, mas o cenário muda completamente, caso haja a condenação. "Mesmo que ele seja condenado, o petista influenciará nas decisões do seu partido e na disputa política", atesta Elton Gomes.

Caso o petista seja condenado, há uma expectativa de que ele conduza sua postulação até setembro, quando será obrigado a escolher no PT entre o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Para Rudá Ricci, o favorito é Wagner, já que há uma identificação de Lula com ele e uma flexibilidade política compatível com os desafios de Brasília.

Direita
O fenômeno Bolsonaro, que se consolidou no segundo lugar das intenções de voto, rivaliza com o PSDB, para reafirmar a polarização do PT com uma candidatura de direita. "Há uma disputa entre Alckmin e Bolsonaro, onde pesquisas do PSDB revelam que parte significativa do eleitorado deles bandeou para o Bolsonaro. Diante disso, começaram a surgir notícias em São Paulo descontruindo Bolsonaro, tentando identificar na candidatura dele, uma pessoa despreparada, falastrão, inclusive, contraditório", afirma Rudá Ricci.

Caso Lula não saia candidato, os analistas acreditam que Bolsonaro perde força, tendo o fortalecimento de outros nomes do campo de centro-direita. Contudo, há forte chance de que prevaleça a velha polarização entre PT e PSDB no segundo turno. "Para a Ciência Política, polarização não é uma coisa negativa, necessariamente. Essas forças vão competir para atender aos anseios da população", afirmou Victor.

Fonte :Folha de PE.

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