A costura mais espinhosa do PSB

Publicado em 11/03/2018 às 14h00

A indicação da vice na chapa majoritária é a equação mais "melindrosa" que o governador Paulo Câmara (PSB) terá que resolver nos próximos meses. Em meio a montagens de chapinhas e ao troca-troca partidário, o socialista começa a especular um nome que agrade ao arco de alianças e que seja de confiança. No entanto, o fato mais espinhoso é que o nome escolhido terá um papel decisivo no futuro da Frente Popular. Isso porque, caso reeleito, o governador deverá se desincompatibilizar do cargo seis meses antes do fim da gestão, se desejar concorrer a um outro cargo em 2022. A partir de então, será o vice escolhido e seu partido que ficará com a caneta na mão, podendo complicar o futuro do projeto do PSB. 

Presidente estadual do PSD, o deputado federal André de Paula é um dos nomes ventilados pelo perfil discreto e proximidade entre sua sigla e o PSB. Da escola macielista, ele se aproximou do PSB quando o ex-governador Eduardo Campos articulou com Gilberto Kassab sua ida para o PSD. No entanto, caso o deputado Jarbas Vasconcelos, que tem vaga garantida no Senado, e Henry aportem no PSD, a postulação de André fica ameaçada. Procurado, André de Paula disse que seu projeto é a Câmara. "Estou focado nisso e ampliei minhas bases", afirmou. 

Apesar de a aliança com o PT não ter sido fechada, especula-se que a sigla deverá compor a majoritária, na vice ou no Senado. Os nomes cogitados pairam sobre o senador Humberto Costa e o ex-prefeito do Recife, João Paulo. A ala da cúpula petista que defende o retorno da legenda à Frente Popular pleiteia o Senado por questões de sobrevivência - o PT não fez nenhum deputado federal em 2014 e tem dificuldades em reeleger Humberto. A segunda vaga a senador, no entanto, é disputada também pelo PP, PDT, PSC e PCdoB. Se uma dessas agremiações ganhar o espaço, sobraria ao PT a vice. 

O deputado federal Augusto Coutinho (SD) é outro nome já levantado nas conversas de bastidor. No entanto, por ter um partido mais "enxuto", ele pode não ter espaço. Além disso, Augusto ele é ligado ao ministro da Educação Mendonça Filho (DEM), que está na oposição. O mesmo acontece com o secretário de Transportes e deputado federal licenciado, Sebastião Oliveira (PR). Outra hipótese que circula nas coxias é que Paulo vai trabalhar até os 45 minutos do segundo tempo para segurar Raul Henry no posto. Por ter boa relação com o governador, ser aberto ao diálogo e acessível, as siglas podiam acordar para a manutenção dele, em solidariedade a uma eventual perda do comando do MDB para o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). No entanto, o martelo só será batido pelo governador após o prazo da janela partidária e a arrumação da proporcional. 

Apesar da possibilidade de garantir oito meses à frente do Executivo, a vaga de vice é menos atrativa do ponto de vista partidário. Isso porque a Casa Alta tem vantagens como oito anos de mandato e um fundo partidário maior para a legenda. "Tem que ser um nome que não tenha arranhão, como denúncias de corrupção e não traga tensionamento. O vice pode, em tese, não trazer votos para o cabeça da chapa, mas um vice que não é bem escolhido pode tirar votos", avaliou a fonte, em reserva.

Fonte:Blog da Folha de PE.

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