Aliado do PSB até à morte, sem ter sido subserviente

Publicado em 04/07/2018 às 15h00

Eduardo Campos conseguiu unir Guilherme Uchoa e Yves Ribeiro na política de Igarassu

Guilherme Uchoa foi um homem público controverso desde que trocou a magistratura pela política nos anos noventa, mas tinha qualidades que o fizeram ser eleito seis vezes consecutivas para presidir a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Ele chegou ao cargo a primeira vez quebrando uma tradição da Casa, que era colocar na presidência um representante do partido que tivesse a maior bancada. Esse partido era o PSB e ele pertencia ao PDT, que tinha apenas três deputados. O PSB abriu mão da presidência em seu favor, graças à providencial ajuda do então governador Eduardo Campos, seu principal cabo eleitoral nesta e nas três reeleições seguintes. Eduardo enxergava nele liderança e capacidade de diálogo com as oposições, conseguindo aprovar com ele na presidência todos os projetos de interesse do seu governo, a maioria dos quais por unanimidade. É certo que uma de suas reeleições foi questionada judicialmente com base em vedação expressa pelo Regimento Interno, mas isso não ofuscou sua liderança na Casa, que o reelegeu mais duas vezes consecutivamente, fazendo dele o presidente mais longevo do parlamento pernambucano nos últimos 50 anos. Se era controverso por um lado, por outro fazia questão de preservar a autonomia do Poder Legislativo e jamais deixou de ser solidário com seus colegas parlamentares, do governo ou da oposição, em qualquer dificuldade em que se encontrassem. Com ele, Eduardo Campos conseguiu tudo o que quis, inclusive colocá-lo num mesmo palanque com Yves Ribeiro, seu histórico adversário em Igarassu durante mais de 30 anos, mas ele jamais foi subserviente ao PSB.

Vai dar Marília

O jornalista Édson Barbosa, que cuidou do “marketing” dos dois governos de Eduardo Campos, arriscou ontem um palpite sobre a eleição de Pernambuco, embora resida na Bahia: “Marília (Arraes) será eleita governadora”. Ele enxerga na neta de Arraes uma série de atributos que não vê em Paulo Câmara nem no senador Armando Monteiro: a capacidade de “sacudir” o Estado.

O herdeiro – O empresário Guilherme Uchoa Júnior (PSC) tinha no pai, falecido ontem, o principal cabo eleitoral de sua campanha por uma cadeira na Câmara Federal. Sem ele, que costurou uma série de acordos no interior e área metropolitana, vai ter que se virar sozinho.

Às lágrimas – O ex-deputado e ex-prefeito de Araripina, Emanuel Bringel (PSDB), que era um dos grandes amigos de Guilherme Uchoa (PSC), chorou copiosamente ontem ao saber da morte dele quando chegava em sua empresa de gipsita para trabalhar.

A frustração – O maior sonho de Guilherme Uchoa era encerrar sua vida pública como prefeito de Igarassu, sua terra, cidade que fazia questão de exaltar em qualquer lugar que se encontrasse.

A concorrência – Aliados de Augusto Coutinho (SD) acreditavam que ele seria o federal do cunhado Mendonça Filho (DEM), que será candidato a senador na chapa encabeçada pelo PTB. Mas o ex-ministro da Educação decidiu apoiar um filho.

O desafio – Bruno Araújo (PSDB) continua tentando convencer o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Édson Vieira (PSDB), a apoiar Armando Monteiro (PTB) pra governador. Se conseguir, o senador reunirá o que até hoje parece impossível: o prefeito e o ex-deputado José Augusto Maia (Avante).

Fonte :Blog de Inaldo Sampaio.

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