Após perda do PMDB, Paulo Câmara deve buscar tempo de TV do PT

Publicado em 12/01/2018 às 21h00
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Quem entende do riscado, nos bastidores da política local, acredita que a decisão da Justiça, nesta quinta-feira (11), que permitiu a continuidade da dissolução do diretório estadual do PMDB em Pernambuco, deve ter repercussão imediata na composição da Frente Popular, aliança de partidos que apoiam o governador Paulo Câmara (PSB).

Desde 2012, na primeira eleição do prefeito Geraldo Júlio (PSB), o PMDB (que mudou recentemente de sigla para MDB) fazia parte da Frente Popular. Muito mais do que quadros e puxadores de votos, Eduardo Campos agregou ao seu campo político o tempo de TV do PMDB. O partido tem o maior tempo nos blocos de guia eleitoral e inserções.

Apesar do crescimento da importância das redes sociais a cada eleição, o tempo de TV ainda é o fator mais determinante para uma eleição majoritária, segundo os especialistas.

Na própria Lava Jato, parte das denúncias gira em torno do pagamento de propinas à caciques partidários para apoiar chapas presidenciais, visando exclusivamente o aumento do tempo de TV das coligações.

Daí a perda do PMDB ser um duro golpe nos planos de reeleição do governador Paulo Câmara.

Ainda em 2016, apenas para garantir a aliança, o governador Paulo Câmara chegou a ampliar o espaço do PMDB no secretariado, a ponto de causar “ciumeira” no próprio PSB. Um dos espaços dados ao grupo de Jarbas Vasconcelos e Raul Henry foi a secretaria de Desenvolvimento Econômico, considerada a mais importante do Estado.  Antes disto, logo no começo da gestão Paulo, a pasta já havia sido o estopim da briga com o grupo de FBC, que havia indicado um nome para a secretaria, depois Paulo Câmara voltou atrás, desagradando o grupo de Petrolina.

A pasta ainda é ocupada pelo vice-governador Raul Henry, presidente estadual do PMDB, que agora será destituído.

Contudo, após um acordo do senador Fernando Bezerra (PMDB) com o presidente nacional da legenda Romero Jucá, o investimento de Paulo Câmara em garantir o apoio do PMDB na eleição de outubro “micou”, como dizem os entendidos deste mercado. O presidente nacional da legenda se comprometeu a entregar o partido em Pernambuco, de “porteira fechada”, ao senador Fernando Bezerra. A última decisão judicial na disputa indica que a entrega do partido irá se concretizar nas próximas semanas, como aliás já vinha dizendo Fernando Bezerra em todas as entrevistas.

O resultado imediato para o PSB poderá ser uma guinada à esquerda para compensar a perda do tempo de TV do PMDB com a única legenda que tem uma cota equivalente no guia eleitoral: o PT de Lula.

A aproximação do PT com o PSB de Pernambuco não começará agora. Figuras nacionais do PT recorrentemente têm sido recebidas no Palácio do Campo das Princesas. O líder absoluto do partido, Lula, foi recebido ano passado pela viúva Renata Campos, em sua casa.

Fontes na Frente Popular dizem que, para Paulo Câmara, o fator nacional de Lula ser ou não candidato não tem tanta importância, pois a prioridade é que o tempo de TV do governador seja igual ou superior ao tempo de TV do senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB). Com tempo de TV, independente do cenário de disputa nacional, Paulo Câmara teria como fazer uma boa campanha e garantir a reeleição, avaliam os socialistas nos bastidores.

 

Nos bastidores, sempre se lembra que, em 2014, a disparidade de tempo de TV entre Armando Monteiro (PTB) e Paulo Câmara foi decisiva para a vitória de Paulo Câmara. O tempo de TV do atual governador era muito superior ao do petebista e fez a diferença, inclusive na reta final da campanha. Claro que a morte de Eduardo Campos ajudou enormemente, pelo clima que se criou.

Nas últimas semanas, circularam rumores de que, em uma aliança do PT com o PSB em Pernambuco, o nome do ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT), poderia ser até mesmo o vice-governador na chapa da Frente Popular.

As conversas do acordo, segundo estes bastidores, incluiriam bases para garantir a eleição do senador Humberto Costa (PT) como deputado federal e a garantia da reeleição da deputada estadual Tereza Leitão (PT).

Na missa de sétimo dia do empresário Armando Monteiro, o deputado federal Sílvio Costa, do Avante, já tratava publicamente o ex-prefeito do Recife como aliado de Paulo Câmara. O líder do PSD André de Paula, idem, na saída da mesma missa.

Com João Paulo, Humberto e Tereza Leitão “garantidos”, a cúpula do partido em Pernambuco “calaria” as bases, viabilizando a aliança do PT-PSB, até pouco tempo “arqui-inimigos” no Estado.

Este acerto ainda deixaria Paulo Câmara com duas vagas de senador livres na chapa, para negociar com mais partidos.

A aliança entre a Frente Popular e o PT, contudo, terá vítimas imediatas.

A primeira seria a vereadora Marília Arraes (PT), que se coloca como pré-candidata a governadora. Por ironia, ela deixou o PSB em 2014 para apoiar o PT, de Lula, contra o primo Eduardo Campos (PSB).

Agora, em 2018, o apoio do PT (e de Lula) ao PSB de Pernambuco pode deixar Marília Arraes mais uma vez sem partido. Não existe possibilidade de Marília Arraes subir no palanque de Paulo Câmara, mesmo que seja também o palanque de Lula no Estado, garantem pessoas próximas da vereadora.

Outra “vítima” é o deputado federal Sílvio Costa (Avante), que queria se apresentar como “o senador de Lula” na campanha deste ano.

Socialistas acham que os petistas de Pernambuco, ao menos a cúpula, chegaram a conclusão que é o momento de pragmatismo. Candidaturas “olímpicas”, apenas para marcar posição, fizeram o PT minguar em espaços legislativos de Pernambuco, ao ponto de não ter nenhum deputado federal nesta legislatura.

A conferir.

Fonte :Blog de Jamildo.

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