As lideranças surgidas em 2018

Publicado em 12/01/2019 às 09h00

Como é natural do jogo político, o resultado das urnas funciona no sentido de fragilizar certas figuras do xadrez político pernambucano e contribui para emergir outras. Seguindo esta regra, as eleições de 2018 terá relação direta com o que irá acontecer  em 2020 e 2022. Os vitoriosos devem ser utilizados tanto pelo Palácio quanto pela Oposição para a conquista de cidades e articulações estratégicas no âmbito estadual da política. 

Na condição de deputada estadual mais bem votada da história de Pernambuco, com mais de 412 mil votos, Gleide Ângelo(PSB) terá um papel crucial em muitos municípios porque as excelentes votações que obteve em muitos destes pode impulsionar candidatos a prefeito com uma quantidade razoável de votos de opinião. 

Guilherme Uchôa Júnior(PSC), que em breve deverá ser chamado apenas por Guilherme Uchôa em homenagem ao finado pai m, conseguiu manter a votação do ex-presidente da Alepe e com isto tornou-se figura importante no Litoral Norte, o que deve pesar nas articulações de prefeituráveis, sendo comentado nos bastidores inclusive que ele mesmo pode disputar a prefeitura de Igarassu. 

A dupla petista Doriel Barros e Carlos Veras, com 66 mil e 72 mil votos, respectivamente, também devem estar presente na montagem de palanques fortes no sertão do estado – vale salientar que ambos são oriundos de movimentos sociais ligados à agricultura familiar, seguimento muito mais densos nesta região que na RMR. 

Rodrigo Novaes(PSD), agora Secretário de Turismo, tem tudo para pavimentar uma candidatura a deputado federal e, para tanto, necessita eleger uma certa quantidade de prefeitos para dar sustentação ao seu projeto. Já presente em Floresta e outras cidades da região, Novaes agora deve se espalhar participando de outros palanques na RMR e Sertão. 

O grupo Ferreira, comandado por Anderson(PR) e André Ferreira (PSC) elegeu uma bancada de 5 deputados estaduais e um federal, além de estar em conversar para atrair outros parlamentares e serem detentores da última palavra em duas legendas. Anderson é prefeito de Jaboatão, segundo maior colégio eleitoral do estado, e tem um cunhado vereador do Recife. A dupla já está a todo vapor contatando pretensos candidatos a prefeito em diversas cidades, como Lajedo, Camaragibe, Escada, Brejo da Madre de Deus, Olinda e Paulista para eleger o maior número possível de apoiadores.

O Grupo Gouveia, do deputado estadual eleito Gustavo(DEM) e do do prefeito de Paudalho, Marcelo Gouveia (PSD), também já corre olhando para 2020. O foco dos irmãos é participar ativamente da composição de palanques nas cidades de Paudalho, Limoeiro, Ipojuca, Carpina e algumas outras cidades da Mata Norte. Chama atenção o resultado de Gustavo Gouveia no município governado por seu irmão, saindo de lá com 55,76% dos votos válidos e tornando Ricardo Teobaldo(PODE) também majoritário. Este dado comprova a significativa aprovação de Marcelo à frente da prefeitura de Paudalho.

O clã dos Bezerra Coelho, que deve comandar a Oposição pernambucana ao lado dos Ferreira, possuem um mandato de deputado estadual, um de deputado federal e um mandato de senador. Muito fortes na região do Sertão do São Francisco, já há conversas para apoiarem palanques na RMR e Mata Norte.

João Campos (PSB), por sua vez, deverá ter papel fundamental principalmente na cidade do Recife, onde pode ser candidato a prefeito. João também tem circulado em cidades estratégicas e especula-se que pode interferir positivamente em torno de aliados na construção das chapas majoritárias e proporcionais em muitas destas, com destaque para Camaragibe, Recife, Petrolina, São Lourenço da Mata e Garanhuns. Nesta última, tem grande proximidade com o suplente Sivaldo Albino(PSB), que assumirá a vaga deixada por Rodrigo Novaes e deve ser a aposta socialista para recuperar a prefeitura de Garanhuns. 

Já a deputada federal eleita Marília Arraes (PT), teve uma grande mostra de força em outubro, quando atingiu quase 200 mil votos figurando como a segunda mais votada de Pernambuco e única deputada federal eleita. O resultado da petista foi bem mais expressivo na RMR, mas o apelo popular que ganhou nos rincões do estado pode ajudá-la na montagem de palanques municipais.

Por último, mas não menos importante, está Luciano Bivar(PSL). Impulsionado pela onda dos apoiadores de Bolsonaro, Bivar terá a tarefa de balizar o desempenho do presidente em torno de candidatos do partido e fazer a sigla crescer em Pernambuco tanto quanto cresceu em Brasília, saltando de 3 para 52 parlamentares. Se conseguir repetir o fenômeno, Bivar pode, inclusive, roubar a cena e se tornar um possível nome para liderar a oposição e quebrar a hegemonia socialista no comando do Palácio do Campo das Princesas.

Fortalecida – Juliana Chaparral (PATRI) não foi eleita deputada estadual porque sua chapinha não reuniu os votos suficientes para tanto, mas ainda cooptou 31999 votos, quase todos distribuídos em nas cidades de Orobó, Casinhas, Bom Jardim e cidades circunvizinhas. Diante deste resultado, Juliana já tem seu nome ventilado para disputar a prefeitura de um destes municípios

Troco – Há deputados insatisfeitos com o Palácio na formação do primeiro escalão estadual. Em reserva, alguns contam que ainda é cedo e vão esperar a hora certa para dar o troco. 

Planos 1 – Dos deputados estaduais não reeleitos, já se fala em alguns disputando a prefeitura de certas cidades. Marcantonio Dourado(PSB) em Lajedo; Augusto César(PTB), em Serra Talhada; Vinícius Labanca(PP), em São Lourenço da Mata; Beto Accioly(PP), em Camaragibe e Zé Maurício(PP), em João Alfredo.
 

Planos 2 – Dentre os deputados federais não reeleitos, também alguns já se movimentam no sentido de disputar a prefeitura de cidades importantes. São eles: Zeca Cavalcanti (PTB) em Arcoverde, Marinaldo Rosendo (PP) em Timbaúba; e Betinho (PSDB) no Cabo de Santo Agostinho. 

PSOL – Com integrantes como Ivan Moraes, as codeputadas Juntas, Dani Portela, Paulo Rubem e Edilson Silva, a sigla tem tudo para eleger 2 ou até 3 vereadores no Recife em 2020. Se continuarem se expandindo, em pouco tempo podem repetir o feito do PSOL-RJ, que ocupou totalmente a esfera da oposição estadual na ausência de outras siglas fortes.

Escrito por Marcelo Velez.

Fonte: Blog Ponto de Vista.

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