Faltou combinar com os russos

Publicado em 30/11/2018 às 13h00

Dizem que a melhor fase de um governante é o período entre a sua eleição e a posse, quando ele está recém-saído de uma vitória nas urnas e ainda não tem que enfrentar o desgaste de governar. É nessa etapa que se encontra o presidente eleito Jair Bolsonaro. Com o pescoço grosso, como se fala na política, Bolsonaro ainda vai surfar em uma aprovação popular por, pelo menos, uns seis meses ou mais, de acordo com especialistas. Esse destaque atiça a cobiça dos seus pares. Porque político é assim: não pode ver ninguém em alta com a opinião pública que já quer tirar uma lasquinha.

Nesse cenário, uma disputa já começa a emergir dos bastidores da oposição. A de quem vai ficar com o título de representante do “Bolsonarismo” aqui no estado. Vamos chamar de “bolsonaristas” os políticos ou aspirantes a políticos de Direita, que têm, no capitão da reserva, seu líder (ou “mito”, se você estiver nas redes sociais) e, no filósofo Olavo de Carvalho, seu guru. As tentativas de aproximação vêm de todos os lados.

Aconteceu na campanha, quando Bolsonaro apontou para ganhar; por meio de amigos em comum no Congresso; e pela via institucional.

O problema é que “faltou combinar com os russos”. Entendam por “russos”, neste caso, Bolsonaro e seu núcleo duro. A piada de comparar “adoradores” dos Estados Unidos aos russos só não é maior que o “toco” dado pelo capitão nos seus pretendentes pernambucanos. Bolsonaro até sinaliza, mas não entrega o jogo para ninguém. Deixa que os “candidatos” se digladiem pela sua atenção. Parece até se divertir com isso. Veio do nada, quando ele mesmo era a piada, para uma vitória consagradora. Sabe quem de fato está com ele e quem só quer se aproveitar. E assim vai levando.

Do ponto de vista institucional, o presidente eleito também está disposto a “eliminar atravessadores”. Quer tirar os governadores do caminho e estabelecer parcerias diretas com as prefeituras. Levar o governo na ponta - onde encontra-se quem votou nele. Está deixando muito governador de cabelo em pé, enquanto os prefeitos vislumbram uma luz no final do túnel. Contudo, ainda é cedo para qualquer comemoração. Bolsonaro é uma caixinha de surpresas.

 – Não faltam pretendentes ao posto de bastião do Bolsonarismo em Pernambuco. Candidato ao Senado, o ex-ministro Mendonça Filho virou Bolsonaro de carteirinha na reta final da campanha. Seus aliados avaliam que, se declarasse antes, poderia ultrapassar Jarbas Vasconcelos na corrida pela Casa Alta. Já o deputado federal Bruno Araújo, – que também pintou como pretendente, deve deixar Pernambuco após ter perdido a eleição com destino a Brasília – é cogitado, inclusive, para presidir o PSDB nacional.
 

Na amizade – Colega de Congresso de Bolsonaro na época do Baixo Clero, o hoje prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, está usando dessa proximidade, também com o deputado Eduardo Bolsonaro, para ganhar simpatia do presidente eleito. Anderson e seu irmão, o federal eleito André Ferreira, identificaram a oportunidade e vão investir nela. Se colar, eles só têm a ganhar. Lembrando que Anderson vai para a reeleição daqui a dois anos e André pode sair para prefeito do Recife. O discurso dos dois, nesse caso, seria um contraponto ao “Lulismo” do PSB. Evangélicos, vão usar a bancada como aliada para alcançar o objetivo.

Raiz x Nutella – Para muitos, os bolsonaristas genuínos de Pernambuco são o empresário Gilson Machado Neto, que chegou a ser pré-candidato ao Senado pelo PSL, e o coronel Luiz Meira, que disputou vaga na Câmara Federal empunhando a bandeira. Eles, juntos com o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, e outros candidatos, pediram votos desde o início da campanha para o capitão da reserva. No entanto, não foram autorizados a falar por Bolsonaro com nenhum partido em Pernambuco.

Queimado – O setor empresarial não aguenta mais o presidente da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD Diper), Antônio Xavier. Empresários argumentam que o gestor não tem dimensão para o cargo que ocupa e que sua gestão não tem um norte - ele não entende do serviço. Nas internas da agência, Antônio é tido como “não muito gentil” pelos funcionários. Também não coleciona admiradores lá. Indicado pelo deputado federal Eduardo da Fonte, ele não deve ficar no posto a partir do ano que vem, até porque o espaço do PP será revisto no governo.

CURTAS

OLHA A CELPE – A crise está muito grande nos municípios pernambucanos. Isso não é novidade. Mas em Floresta a situação está tão séria que a Celpe cortou a luz da prefeitura por falta de pagamento. A sede do Executivo Municipal ficou às escuras até que a gestão do prefeito Ricardo Ferraz pagasse os boletos atrasados. Que fase!

ALÔ, AMOR! – O vereador Edjailson da Caru Forró está triste. O parlamentar caruaruense, que é da base da prefeita Raquel Lyra, reclamou na tribuna da Casa que foi binado por três secretários municipais. “Acho que meu aparelho tem aquele problema de ficar aparecendo o nome desconhecido”, lamentou. A coluna indica ao vereador um aplicativo muito bom para troca de mensagens. Chama-se WhatsApp.

LIDERANÇA – O vereador Bruno do Povo tem surgido como um forte aliado da população de Primavera, na Mata Sul de Pernambuco. Responsável por organizar trabalhos sociais voltados aos moradores, ele tem conquistado o carinho e a aceitação dos primaverenses. Entre as iniciativas desenvolvidas pelo parlamentar, estão o agendamento de consultas médicas e a prestação de serviços de assessoria jurídica gratuitamente, ações que têm ajudado a melhorar a vida das pessoas na cidade.

Perguntar não ofende: FBC já fez ou fará algum gesto pró-Bolsonaro?

Fonte :Por Arthur Cunha – especial para o blog.

Blog do Magno Martins. 

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