‘Não tenho nenhuma pretensão política’, diz Patrícia Domingos

Publicado em 09/11/2018 às 17h00
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Por Margarette Andrea, jornalista da editoria de Cidades do JC

A ex-titular da Delegacia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp), extinta anteontem, Patrícia Domingos, nega desinteresse em trabalhar no Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que recebe as atividades da Decasp e da Delegacia de Crimes Contra a Propriedade Imaterial, também extinta. Ela diz que gostaria de atuar como delegada, não como diretora.

Mas, segundo a Polícia Civil, os gestores do Draco e das duas delegacias de combate ao crime organizado criadas já foram escolhidos. Extraoficialmente, há informação de que o cargo oferecido a Patrícia ficará com a delegada Érica Bezerra. Confira os principais trechos da entrevista concedida pela delegada à jornalista Margarette Andrea.

CONVITE

“Ao contrário do que foi falado ontem (anteontem), eu tenho total interesse em trabalhar no Draco, especialmente porque ele vai herdar os inquéritos gerados na minha gestão. Mas a diretoria é função administrativa, não investigativa. E, com a experiência que angariei ao longo desses quatro anos na Decasp, eu tenho muito mais a contribuir estando à frente de uma delegacia, que é um cargo inferior, do que estando na gestão. Propus isso e não foi aceito, mas eu ainda espero que a SDS possa reconsiderar, uma vez que a própria secretaria disse que as escolhas seriam de acordo com o perfil técnico.”

VULNERÁVEL

“Meu currículo hoje inclui quatro anos de experiência especificamente no ramo de combate à corrupção. Fui professora das matérias de crimes organizados e crimes contra a administração pública, na Academia da Polícia Civil, ministro palestras e cursos em outros órgãos, como o Tribunal de Contas, sobre esses temas, então acredito que eu tenha uma bagagem para contribuir. Mas à frente de uma delegacia, trabalhando com investigação e não em uma função administrativa, que, por acaso, é cargo de livre nomeação e exoneração, o que me deixaria numa situação bastante vulnerável.”

RESULTADOS

“Em quatro anos, a Decasp realizou 49 prisões, inclusive a primeira de um prefeito em exercício. Foram recuperados aos cofres públicos R$ 13 milhões. A primeira delação premiada foi via Decasp. Afastamos vários gestores públicos, inclusive vereadores. Foi uma das delegacias mais produtivas.”

PERSEGUIÇÃO

“Eu prefiro acreditar na seriedade das instituições. Se estivermos tratando com uma gestão séria, não há espaço para isso.

POLÍTICA

“Eu não sou de Pernambuco (sou do Rio ), não tenho parente nenhum no Nordeste, vínculo nenhum. Não tenho nenhuma pretensão política. Quero somente ser uma delegada de polícia. Fiz concurso para isso.”

O DRACO

“A criação do Draco é necessária, é um avanço. E quando falaram conosco, há dois meses, a proposta era inserir a Decasp e Deprim no departamento. Então fomos surpreendidos com a extinção das delegacias. As unidades poderiam coexistir. Ficamos muito tristes.”

A ESCOLHA

“A função administrativa é louvável e deve ser ocupada por pessoas com experiência, a exemplo de Sylvana Lellis, que foi diretora da Academia de Polícia e demonstrou uma gestão ímpar. Acredito que ela foi uma boa escolha. É uma pessoa séria, competente, com a qual teria imenso orgulho em trabalhar. Mas eu gosto de ser operacional.”

O FUTURO

“Não sei para aonde eu vou, ninguém me falou nada, não sei do meu futuro, nem da minha equipe. São 21 excelentes policiais. As pessoas falam muito na Patrícia Domingos, mas é a equipe que faz o trabalho, contando comigo. Eles não só são muito bons, como se especializaram junto com a gente no combate à corrupção. Mas faço votos sinceros para que o Draco possa assumir, com total compromisso e seriedade, as investigações que a Decasp conduzia de forma tão aguerrida.”

A RESPOSTA DA SDS

A Polícia Civil esclarece que, ao ser convidada para ser diretora-adjunta do Draco, a delegada Patrícia Domingos atuaria como coordenadora das delegacias de repressão à corrupção e ao crime organizado, estando à frente das investigações e operações sob responsabilidade do departamento. A função permitiria, por exemplo, que ela assumisse a titularidade de inquéritos e atuasse diretamente nas investigações. O convite foi feito pela diretoria do Draco, Sylvana Lellis, e reforçado pela chefia de Polícia Civil.

Para a função de chefe das delegacias criadas de imediato pela lei, a diretora do Draco convidou os delegados Diego Pinheiro e Viviane Santa Cruz, que se destacaram este ano em operações e investigações que desarticularam quadrilhas especializadas em corrupção e crime organizado. Os convites foram aceitos. A expectativa é que as portarias de nomeação sejam publicadas ainda nesta sexta-feira (9).

Fonte: Blog do Jamildo.

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