Não dá para ser otimista com alguns dos novos governadores

Publicado em 09/11/2018 às 15h00

O governador eleito de Minas, Romeu Zema, não está conseguindo sequer formar o time

Os ventos da mudança que levaram Bolsonaro à Presidência da República chegaram também a alguns estados, além do Distrito Federal. Empunhando o discurso mudancista, elegeram-se Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, Ratinho Júnior no Paraná, Comandante Moisés em Santa Catarina, Romeu Zema em Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte e Ibaneis Rocha no Distrito Federal. Salvo Eduardo Leite, que já foi prefeito de Pelotas, nenhum dos outros tem experiência de governo e por isso estão mais sujeitos a erros do que a acertos. Ratinho Júnior ostenta no currículo o fato de ser filho do apresentador de TV Ratinho pai, e nada mais. Comandante Moisés é apenas um militar da reserva que pegou carona no discurso bolsonarista e Romeu Zena o dono de um rede de lojas em Minas com 450 unidades e 5 mil empregados. Wilson Witzel é um juiz aposentado que pensa que resolverá os problemas do Rio matando bandidos, Fátima Bezerra foi impulsionada pela força de Lula no Nordeste e Ibaneis Rocha é apenas um advogado bem sucedido, em Brasília, que declara possui um patrimônio de 100 milhões de reais. Há em comum entre o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Norte o fato de serem estados quebrados, cuja folha de aposentados e pensionistas é superior à dos servidores da ativa. E seus problemas não serão resolvidos apenas com discursos. Para terem idéia de como governador é uma atividade complexa, Zema não está conseguindo sequer formar o secretario. Não quer políticos no primeiro escalão e os empresários que ele convidou recusaram o convite.

Pelo entendimento

Embora Bolsonaro tenha sido derrotado em todos os estados do Nordeste, os governadores já fizeram aceno ao presidente eleito de que pretendem colaborar com o Palácio do Planalto. Os primeiros que estenderam a mão ao novo presidente foram Camilo Santana (CE), Wellington Dias (PI), Renan Filho (AL) e Belisário Chagas (SE). Paulo Câmara (PE) ainda está calado.

Pau a pau – A família Ferraz, de Floresta, lançou a candidatura do tenente-coronel Fabrizio Ferraz a deputado estadual, de última hora, para evitar que Rodrigo Novaes (PSD) estourasse de votos no município. Os dois foram eleitos. Mas Rodrigo já esperava e Frabrízio, não.

O traidor – João Doria, governador eleito de SP, já fala como dirigente máximo do PSDB. Passou a perna em FHC, Alckmin, Serra e Alberto Goldman e já fala em antecipar a convenção nacional do partido para mandar Alckmin embora para casa. Traição em política é isto.

Como fazer? – Bolsonaro e seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, deixaram a nova safra de governadores animada com a promessa de que o próximo governo terá “menos Brasilia e mais Brasil”. Há uma grande curiosidade dos governadores para saber como isto será feito.

Briga feia – Caso o presidente eleito decida mesmo extinguir o Ministério do Trabalho, estará comprando, desnecessariamente, uma briga com as centrais sindicais. A pasta está totalmente esvaziada mas tem uma simbologia muito grande por ter sido criada por Getúlio Vargas.

Sem noção – O Governo de Pernambuco ainda não fez o cálculo de quanto será o impacto na folha em decorrência do reajuste de 16% aprovado pelo Senado para os ministros do STF. O “efeito cascata” desse aumento vai dos ministros do STF aos juízes de primeiro grau.

Fonte : Blog de Inaldo Sampaio.

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