Não se muda o Brasil só com vontade política

Publicado em 01/11/2018 às 17h45

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, fez toda sua carreira no setor privado

Bolsonaro elegeu-se presidente da República prometendo fazer mudanças no país. Mudança nos critérios de composição do ministério, mudança no tamanho da máquina pública, mudança na qualidade dos homens que comporão o governo, mudança no Estatuto do Desarmamento para que a compra de armas em nosso país seja flexibilizada. Mudanças, enfim, em todas as áreas de todos os setores para que o Brasil se transforme rapidamente num país próspero e justo. Entretanto, não se muda um país como o Brasil apenas com vontade política, ou através de um “tiro só” como Collor prometeu fazer com a inflação em 1989. A vontade é importante, mas serão necessários vários tiros, e necessário também que o atirador acerte o alvo. A fusão dos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento Econômico em torno do super Ministério da Economia, por exemplo, não foi bem recebida pelas classes produtoras, especialmente porque o futuro ministro Paulo Guedes não tem experiência no setor público. É economista formado pela UFMG, com doutorado na Universidade de Chicago, mas fez toda sua carreira no setor privado – Banco BTG Pactual, Ibmec, Instituto Millenium, Bozzano Investimentos, etc. É certo que o presidente eleito prometeu fazer um “governo de ruptura”. Mas o Brasil talvez não esteja preparado para ter no Ministério da Economia alguém que, mesmo antes de assumir, já partiu para o confronto com setor industrial dizendo que “vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”. A indústria representa 24% do PIB nacional e não é interessante iniciar o governo comprando uma briga com esse setor. Se o futuro ministro acha que pode, aguardemos para conferir.

Presidente sem porta-voz

Bolsonaro fez a campanha e ganhou a eleição sem um “porta-voz” de imprensa para se comunicar com os jornalistas. Seu partido tem um assessor, a jornalista pernambucana Érika Siqueira, mas ele, não. Tanto que coube a Luciano Bivar anunciar a extinção do Ministério das Cidades e a Ônix Lorenzoni a fusão dos Ministérios da Agricultura com Meio Ambiente.

Barata tonta – Partidos de esquerda que apoiaram Haddad (PT) estão feito “barata tonta” no pós eleições. Cada qual diz uma coisa e não se sabe exatamente como será organizada a oposição. Melhor seria deixar a “poeira abaixar” para depois elaborar um plano de trabalho.

Em todos – O único Estado em que Bolsonaro ganhou em todos os municípios foi Rondônia. Já Haddad venceu em todos do Ceará, Piauí e Sergipe. Em São Paulo, o candidato do PT só ganhou em 13 e em Pernambuco perdeu para Bolsonaro apenas em Santa Cruz do Capibaribe.

Jogo duro – O deputado Bruno Araújo (PSDB) foi próximo de Serra em 2014, de Aécio em 2014 e de Alckmin em 2018. Agora, no pós eleições, já se aliou ao governador eleito de SP, João Doria, para tirar Alckmin da presidência nacional do partido. Joga duro e sem emoção.

Sem trauma – Paulo Câmara não está preocupado com a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa. A maioria que o governo tem lá o tranquiliza, seja para deixar Eriberto Medeiros ((PP) na presidência, seja para substituí-lo por Waldemar Borges ou Aluisio Lessa (PSB).

E depois? – Representantes da Frente Nacional dos Prefeitos, presidida por Jonas Donizette (PSB), de Campinas (SP), insurgiram-se ontem contra a extinção do Ministério das Cidades. Querem saber quem vai cuidar das políticas de habitação, saneamento, drenagem e transportes.

Fonte : Blog de Inaldo Sampaio.

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