O PT de Pernambuco entre o velho e o novo

Publicado em 02/08/2018 às 13h00

Humberto Costa representa o “velho” PT que se reveza no comando do partido há 30 anos

O PT pernambucano decidirá hoje se faz aliança com o PSB ou se disputa o governo estadual com a vereadora Marília Arraes. Se aprovar a aliança, o senador Humberto Costa disputará a reeleição na chapa da Frente Popular. Se optar por chapa própria, Marília Arraes será candidata a governadora com apoio de mais dois partidos: Avante (do deputado Sílvio Costa) e PROS (do deputado João Fernando Coutinho). Marília cresceu assustadoramente nas últimas semanas e sua candidatura passou a ser encarada pelo PSB como uma ameaça real à reeleição de Paulo Câmara. Daí a pressão que o PT nacional passou a sofrer do PSB pernambucano para tirá-la do páreo de qualquer jeito. Divulgou-se, inclusive, que se a vereadora fosse “rifada” o PSB sacrificaria o seu candidato ao governo de Minas, Márcio Lacerda, para apoiar o governador petista Fernando Pimentel, fato que foi desmentido pelo próprio Lacerda. E ontem se divulgou também que a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, teria dito à própria Marília que procurasse outra coisa pra fazer porque sua candidatura estava “rifada”. Isso obrigou a vereadora a gravar um vídeo, divulgado nas redes sociais, classificando a notícia de “ataque especulativo” a sua candidatura. A decisão sairá hoje e prevê-se um brutal enfrentamento entre os partidários do senador, favorável à aliança, e os defensores de Marília. O senador representa o “velho PT”, que se reveza no comando da burocracia partidária há 30 anos, enquanto Marília encarna a renovação de que tanto o partido se ressente para dar uma sacudida nos seus quadros, envelhecidos ao longo do processo.

O que acha Lula disso tudo?

Não se sabe a posição de Lula sobre o que o PT deve fazer em Pernambuco nas próximas eleições. Sabe-se apenas que o “chefão” do partido às vezes dá murro em ponta de faca. Em 1998, por exemplo, ele obrigou o comando nacional a anular a convenção do PT-RJ que havia lançado a candidatura do ex-líder estudantil Vladimir Palmeira ao governo daquele Estado.

O suicídio – Palmeira foi tirado da disputa, à força, para que o PT apoiasse Garotinho, exigência feita por Brizola em troca do apoio do PDT à candidatura de Lula para presidente. Resultado: de lá para cá (já faz 20 anos) o PT nunca mais aprumou o passo naquele Estado.

O confronto – Outra pisada de bola do PT ocorreu em Fortaleza na eleição municipal de 2004. As direções estadual e nacional do partido recomendaram apoio ao então candidato do PCdoB, Inácio Arruda. Luizianne Lins (PT) desafiou ambas, saiu candidata e ganhou a eleição.

O capital – Caso o PT pernambucano rejeite a candidatura de Marília Arraes, o capital político que ela acumulou até agora não irá para Paulo Câmara (PSB), por razões óbvias. Reforçaria o palanque do senador Armando Monteiro (PTB). Aliás, Marília o apoio na eleição de 2014.

O plebiscito – Se eventualmente Marília Arraes (PT) ficar fora da disputa estadual, teremos em Pernambuco uma eleição plebiscitária: governo x oposição. Se o governo tiver alta taxa de aprovação no final de setembro, ótimo para Paulo Câmara! Se não, ele pode se complicar.

O general – Luciano Duque (PT), prefeito de Serra Talhada e um dos responsáveis pelo lançamento da candidatura de Marília Arraes à sucessão estadual, chega hoje ao Recife para comandar as tropas contrárias à aliança do seu partido com o PSB.

Fonte : Blog de Inaldo Sampaio. 

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