PSL faz acordo em nome da governabilidade

Publicado em 04/01/2019 às 21h00
Presidente do PSL, Luciano Bivar
Presidente do PSL, Luciano BivarFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Ao longo da campanha eleitoral de 2018, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) prometeu que adotaria uma nova dinâmica para construir a relação do governo com o Congresso Nacional. Contudo, as necessidades de governabilidade e de aprovação de medidas caras ao governo bateram à porta. O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não era o mandatário dos sonhos dos governistas, mas foi o que mais ofereceu retorno ao governo. 

deputado federal João Campos (PRB-GO) era o preferido de Bolsonaro para a disputa da Presidência da Câmara dos Deputados, mas, com o acordo, retirou a postulação em favor de Maia. Com o pacto, o PRB teria ficado com a primeira-vice-presidência da Casa, PSL com a segunda-vice-presidência e as Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) - a mais importante da Câmara - e a de Finanças e Tributação (CFT), o PR com a primeira-secretaria, PSD com a segunda-secretaria, PSB ficaria com a terceira e PDT com a quarta. Algumas comissões estão sendo negociadas com os partidos. Entretanto, nos bastidores, comenta-se que Maia tem oferecido o mesmo espaço para mais de uma legenda. 

Diante disso, PSB, PCdoB e PDT, outrora aliados de Maia, se assustaram com o movimento do atual mandatário da Câmara com o PSL e ainda não fecharam questão. O PSB, inclusive, ainda possui um candidato à Presidência da Casa, o deputado federal João Henrique Caldas (PSB-AL), conhecido como JHC. Segundo o parlamentar, o apoio mostra que o partido “começou a virar o balcão tradicional da velha política”. 

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), também se manifestou no mesmo sentido, via redes sociais. “Não durou 24 horas o discurso de Bolsonaro de rompimento com a velha política. Hoje foi selado pelo PSL um acordão, envolvendo cargos, com os partidos políticos que ele tanto criticou, para apoiar reeleição de Rodrigo Maia para a Câmara dos Deputados”, escreveu. O PT, todavia, está isolado, apesar dos 56 deputados.

Aliado de Bolsonaro, o presidente nacional do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), negou a troca de favores e frisou que a negociação com Maia visou à governabilidade. “CCJ não é um cargo, é uma comissão que faz parte da governabilidade, não é um emprego”, justificou. Com o cargo na Mesa e as comissões, o PSL dará em troca os 53 votos da legenda a Maia.

Mas, se o presidente conseguiu passar incólume às trocas de favores com partidos e políticos na formação dos Ministérios, não conseguiria o mesmo em relação ao apoio no Congresso Nacional. “Não há outra forma de se relacionar com o Congresso”, avalia o cientista político Arthur Leandro, do Observatório do Poder. “É a forma que tem para construir uma base mínima (de governabilidade)”, acrescenta.

Desta forma, Bolsonaro cedeu a uma nova forma de presidencialismo de coalizão. Não trocando apoio por Ministérios ou emendas parlamentares, como era a praxe, mas por espaços no Congresso Nacional - neste caso, cargos e comissões. O efeito é o mesmo: buscar governabilidade. “Quem não cede, não governa”, sentencia o cientista político José Mario Wanderley, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), acrescentando que outras cessões virão por parte do presidente.

Wanderley destaca que, durante a campanha, Bolsonaro precisou entrar nessa retórica de ter uma nova dinâmica com o Parlamento por causa do seu público, porém o discurso eleitoral é diferente da prática governativa e ele se viu na necessidade de negociar. O cientista político recordou que os dois últimos presidentes da República que não quiseram negociar a Mesa Diretora perderam os cargos: Fernando Collor e Dilma Rousseff sofreram impeachment.S

Fonte :Blog da Folha de PE.

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