PT mantém divisão em Pernambuco

Publicado em 26/11/2018 às 11h00

O Partido dos Trabalhadores vivenciou momentos muito positivos em Pernambuco, sobretudo no período em que chegou à prefeitura do Recife em 2000 e à presidência da República em 2002. Além de João Paulo que chegou a comandar a capital pernambucana, Humberto Costa ocupou o ministério da Saúde no primeiro governo Lula. Durante mais de uma década o partido comandou a capital pernambucana e por quatorze anos ocupou a presidência da República. Esses resultados positivos foram insuficientes para que o partido vivesse uma unidade de fato entre suas lideranças e em 2012, já com a então inédita vitória de Humberto Costa para o Senado, houve uma confusão sem precedentes que culminaria na saída do partido da prefeitura do Recife, entregando de bandeja o comando da capital pernambucana ao aliado histórico PSB.

Após seis anos distanciado do PSB, o Partido dos Trabalhadores ensaiou uma candidatura própria de Marília Arraes a governadora, inclusive chegou a perder João Paulo para o PCdoB devido o grau de incerteza que permeou o PT durante quase todo o ano de 2018. Na reta final das convenções, prevaleceu a retirada da candidatura de Marília Arraes ao governo e a retomada da aliança com o PSB. Candidato à reeleição, Humberto Costa foi o senador mais votado de Pernambuco na chapa de Paulo Câmara, que também foi reeleito. Marília, por sua vez, foi candidata a deputada federal e acabou sendo a segunda candidata mais votada da eleição e a única mulher eleita para a Câmara dos Deputados. A vitória de Humberto e Marília foi insuficiente para trazer a harmonia necessária ao partido. Humberto, naturalmente, pretende manter o PT na base de Paulo Câmara, inclusive ocupando cargos tanto na gestão estadual quanto na gestão de Geraldo Julio, enquanto Marília já deu evidências que manterá a posição de crítica ferrenha ao PSB.

Mais do que uma divergência de ideias, há um confronto de projetos. Marília saiu fortalecida para sonhar com a prefeitura do Recife em 2020 ou tentar disputar o Palácio do Campo das Princesas em 2022. Já Humberto Costa pretende se preservar de 2020 mas vislumbra disputar em 2022 a sucessão de Paulo Câmara, uma vez que estará no meio do seu mandato de senador e não arriscaria nada num voo pelo governo de Pernambuco, portanto, a divisão entre Marília e Humberto irá prevalecer pelos próximos anos, e com o cabo de guerra entre as duas principais lideranças do partido sendo mantido, o PT novamente terá dificuldades de sonhar com projetos maiores tanto na capital quanto no estado.

Davi Muniz – Candidato a deputado federal em 2018, obtendo 56.872 votos, dos quais 29.358 votos foram na capital pernambucana, ficando entre os dez mais votados do Recife, Davi Muniz se consolidou eleitoralmente e politicamente em 2018. Os números chamaram a atenção do PSB, que já o reconhece como uma das lideranças políticas mais promissoras da capital pernambucana.

Dúvida – Como Severino Ninho não atingiu 10% do quociente eleitoral, ele poderá não ser diplomado pelo TRE como segundo suplente da coligação da Frente Popular. Há quem afirme que se forem convocados dois deputados federais da Frente Popular, a vaga de suplente poderá ser redistribuída entre Odacy Amorim, Kaio Maniçoba e Davi Muniz, que receberão seus diplomas de suplentes de suas respectivas chapas.

Oposição – O deputado federal eleito Silvio Costa Filho (PRB), atual líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, defendeu o nome da colega Priscila Krause (DEM) para o posto a partir de 2019. Priscila já liderou a oposição no Recife e deverá ser confirmada para a função a nível estadual na próxima legislatura.

Prestígio – O deputado estadual Dr. Valdi reuniu no último sábado muitos amigos que acompanham a sua trajetória profissional e política para o casamento de uma de suas filhas. O deputado já foi prefeito de Vertente do Lério e obteve 26.444 votos, ficando como segundo suplente da sua coligação, tendo boas chances de assumir o mandato.

RÁPIDAS

Ascensão – Em dezesseis anos de vida pública, Sebastião Oliveira conquistou em 2018 seu quinto mandato parlamentar em votações ascendentes. Em 2002 quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez obteve 25.470 votos, em 2006 na reeleição atingiu 47.364, em 2010 quando foi ao terceiro mandato ficou com 79.736 votos. Em 2014 já para a Câmara dos Deputados atingiu 115.926, e este ano foi reeleito com 129.978, sendo o quinto mais votado de Pernambuco.

Decepção – Dentre os deputados federais reeleitos, o Pastor Eurico foi uma das maiores decepções desta eleição. Ele foi eleito pela primeira vez em 2010 com 185.870 votos, sendo reeleito em 2014 com 233.762 votos. Nas eleições deste ano, quando decidiu montar uma chapa própria prometendo eleger de dois a três federais, ficou com apenas 125.025 votos, atrapalhando quem confiou na sua palavra.

Inocente quer saber – Bolsonaro vai dar guarida a algum pernambucano que foi derrotado nestas eleições em seu segundo escalão?

Fonte : Blog Edmar Lyra.

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