PT perdido em estratégias após depoimento de Antonio Palocci

Publicado em 10/09/2017 às 14h15

 
O depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro, na última semana, apunhalou os companheiros de partido e pode resultar na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o PT, a inviabilidade eleitoral do principal líder para a cadeia frustra os planos de retornar à Presidência da República em 2018, já que, à exceção da estrela petista, não há outro nome com capital político para vencer a disputa.
 
Diante do tombo, a legenda busca fortalecer o nome do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, justamente levantando a bandeira da educação para tentar chegar à corrida presidencial, ao menos, como coadjuvante.
 
Apesar das negativas públicas da cúpula do partido sobre a existência de um plano B, integrantes confirmam que Haddad é uma das possibilidades para fazer com que a sigla se aproxime novamente do Palácio do Planalto.
 
“A ideia era colocar o Lula como presidente, mas, quando o cerco começou a se fechar, passamos a trabalhar um substituto de maneira mais contundente. As opções eram (Jaques) Wagner e Haddad, que ficou para trás, porque o Wagner está com medo das delações da OAS na Lava-Jato e não demonstrou interesse em virar vitrine neste momento”, comenta um petista, que prefere não se identificar.
 
Sob a proteção do ex-presidente, Fernando Haddad tem viajado o país participando de palestras e seminários em universidades. O tema da educação tem sido prioritário e ele passa a se articular de maneira mais viva.
 
Além disso, Haddad tem atuado como um embaixador petista no PSB — partido historicamente aliado do PT, mas que rompeu o relacionamento após a morte em um acidente aéreo de seu principal líder, Eduardo Campos.
 
A tentativa é ampliar o apoio da militância fora do Nordeste. “O Haddad é mais novo, mais leve, tem acesso ao Márcio França (vice-governador de São Paulo), que, hoje, é quem manda no PSB. Se isso for para a frente, é possível que o PT saia nas eleições como vice de alguém”, conta o petista.
 
Comenta-se que o elo entre o PT e o Planalto poderia ser Ciro Gomes, que já chegou a dizer que uma aliança com o ex-prefeito seria um “time dos sonhos”. Mas Fernando Haddad nega. Ele declarou, inclusive, em entrevista ao Correio, no último mês, que, diante da situação em que o PT se encontra, “ameaçado de extinção”, faz-se necessário que a sigla seja cabeça de chapa em 2018. “A pretensão era que o candidato fosse de outro partido com apoio do PT, em outras condições, mas não nas condições em que o partido está, ameaçado de extinção pelas forças de oposição”, comentou.
 
Esbarrando na possibilidade de Lula ficar inelegível — por sentença judicial que o mande à cadeia ou o enquadre como ficha suja —, e de uma rejeição de Haddad nas pesquisas, o PT traçou como alternativa o fortalecimento do partido na Câmara dos Deputados, uma tentativa de “ganhar” o Executivo por meio do Legislativo.
 
Nas últimas eleições, 58 deputados e nove senadores petistas foram eleitos. Baseado na perda eleitoral da sigla nas eleições municipais de 2016, nas quais o número de prefeituras caiu de 630 para 256, o saldo não deve se repetir.
 
Então, a prioridade é a Câmara. Os senadores foram instruídos a abandonar projetos de reeleição para investirem em uma cadeira de deputado federal. Nomes como o da senadora Gleisi Hoffmann (PR) e o do ex-senador Eduardo Suplicy (SP) estariam nessa lista. E, diante da grande chance de o sistema eleitoral permanecer o mesmo na reforma política que tramita no Congresso, os medalhões devem servir para a conquista de novas vagas.
 
Incerteza
 
As ponderações citadas, somadas ao estrago já provocado pelo depoimento de Palocci — que acusou Lula e Dilma Rousseff de terem beneficiado a Odebrecht em troca de propina, sendo a parte de Lula R$ 300 milhões — já seriam suficientes para preocupar os dirigentes do PT. Mas, o que realmente incomoda é a incerteza do que ainda está por vir.
 
Se Palocci conseguir fechar o acordo de delação premiada que está negociando com o Ministério Público Federal, ele deve entregar todos os detalhes das operações ilícitas envolvendo o governo nos últimos 14 anos.
 
“O clima é de terror, porque Palocci é o primeiro ‘grão petista’ a delatar. O cara que foi o homem de confiança dos dois presidentes do PT, ministro da Fazenda e da Casa Civil. Não será desacreditado. É impensável dizer que um ministro negociava coisas à revelia dos presidentes. Lula não pode nem dizer que não sabia, porque ele já usou essa ficha. O que falta é só a apresentação de provas que incrimine todo mundo”, avaliou um funcionário do alto-escalão do partido.
 
Enquanto se discute o futuro do PT nos bastidores, o front tenta acalmar os ânimos da militância. A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), por exemplo, está entre os que defendem “a tranquilidade tanto do presidente, quanto do partido”. “Estamos muito seguros, muito tranquilos com tudo o que está acontecendo. Não sabemos por que o Palocci resolveu falar tudo isso, ainda mais sem apresentar provas... Mas o problema maior vai ser quando ele precisar desmentir, né?”, afirmou.
 

Fonte :Bernardo Bittar - Correio Braziliense.

Diario de PE.

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