Um estranho no ninho da Frente Popular

Publicado em 07/01/2018 às 13h15
Paulo Câmara discursa durante o PE em Ação
Paulo Câmara discursa durante o PE em AçãoFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Acandidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro pelo PSL criou um desconforto na Frente Popular. Em entrevista, durante a coletiva de filiação do parlamentar, o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar, afirmou que procurará o governador Paulo Câmara (PSB) para tratar da candidatura de Bolsonaro.

A costura de uma aliança harmônica, contudo, não será tão simples para se resolver em uma simples conversa. Com partidos como o PDT, PCdoB e a possibilidade de uma aliança com o PT, o PSL se torna um "estranho no ninho" da base governista, que já começa a gerar incômodo, inclusive, na própria legenda socialista.

A agenda conservadora do presidenciável contrasta com o socialismo de centro-esquerda do PSB. As diferenças já provocaram reações. Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira avisa que imaginar uma aliança da agremiação com Bolsonaro é "loucura". "É uma loucura achar que um partido socialista como o PSB vai apoiar Bolsonaro. Se ele for fazer campanha, será em um outro palanque, não no nosso. É uma candidatura radicalmente oposta aquilo que pensamos", afirmou.

O dirigente, no entanto, pondera que alianças locais não se confundem com as nacionais. Segundo ele, qualquer partido é livre para apoiar candidaturas regionais do PSB, mas isso não representa um alinhamento. O deputado federal Danilo Cabral também garante que "não existe possibilidade do PSB apoiar Bolsonaro". Ele afirma que a viabilidade do PSB estar no mesmo palanque do partido do presidenciável é "mais uma das contradições do sistema eleitoral".

"Esse tipo de aliança não é um privilégio de Pernambuco, mas do sistema eleitoral brasileiro. É mais um exemplo da distorção do nosso sistema. Isso só reforça a necessidade de uma reforma política", pondera. O líder do Governo, Isaltino Nascimento (PSB), afirmou que é preciso separar as questões locais da nacional.

"A questão local é pontual. Cada partido tem suas alianças nacionais. Teremos o PDT no palanque, que tem a candidatura de Ciro Gomes e o PCdoB, que terá a candidatura de Manuela D'Ávila. Nem por conta disso vamos estar alinhados a esses partidos", ponderou. Questionado se essas siglas ficariam desconfortáveis com a presença do partido de Bolsonaro no palanque, ele desconversou: "O mais importante é o projeto majoritário".

Implosão
A ida de Bolsonaro para o PSL, na visão de especialistas, vai de encontro ao projeto da Frente Popular, capitaneada por Paulo Câmara. Como o PSB tem uma identificação histórica com pautas sociais da esquerda, dizem os cientistas políticos, seria uma guinada de 180 graus oferecer palanque a um candidato à Presidência no campo conservador ou de extrema direita. A tendência é que o PSL perca espaço na Frente, por incompatibilidade.

O cientista político Leon Victor Queiroz (UFCG) considera “um erro estratégico a Frente Popular ceder espaço para Bolsonaro”. “Ele é muito negativo, é completamente contrário ao que o PSB sempre defendeu”, acredita. "Bolsonaro é da direita conservadora. A Frente Popular, por mais ampla que seja, tem histórico com as lutas distributivas da esquerda. Seria preciso uma plasticidade política que teria que envergar demais o PSB", aponta o cientista político Thales Castro (Unicap).

O PSB tem flertado com o PT, para ter o apoio do ex-presidente Lula e o tempo de televisão da segunda maior bancada federal. Na visão de Leon, Bolsonaro não teria estrutura a oferecer para a Frente Popular. “O PSL é irrelevante dentro da correlação de forças de Paulo”, diz Leon. Na leitura de Thales Castro, Bolsonaro perde com a filiação ao PSL, já que o partido não dispõe de estrutura nem musculatura para propagar seu projeto.

O peso de Bolsonaro, atualmente, reside na estratégia que ele vem adotando de ser o candidato anti-Lula. “Caso Lula não dispute a eleição, o projeto de Bolsonaro se esvazia e isso fortalece Geraldo Alckmin (PSDB). Acho que é mais provável o PSB apoiar Geraldo a Bolsonaro”, avalia Leon. "Bolsonaro precisa de um partido de peso, com orçamento, tempo de televisão e soldados para o projeto, esse material humano feito de prefeitos, deputados e vereadores. Ele trocou um PSC por um partido igualmente pequeno, o PSL", diz Thales.

Fonte :Blog da Folha de PE.

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