Um otimista na política ao qual o tempo deve dar razão

Publicado em 04/01/2018 às 12h00
Armando Monteiro e Fidel Castro se cumprimentam sob o olhar de Márcio Thomaz Bastos e Lula
Armando Monteiro e Fidel Castro se cumprimentam sob o olhar de Márcio Thomaz Bastos e LulaFoto: reprodução

Era 1994 e Lula, então candidato à Presidência da República, fazia comício no Recife ao lado de Miguel Arraes, que concorria a governador. Na disputa pelo Senado, Armando Monteiro Filho integrava as forças presentes no palanque, na Av. Dantas Barreto. O postulante à Casa Alta fez uma opção que lhe rendeu exatos seis minutos de vaias. Não era o mais confortável, mas reservou-se o direito de defender, perante a militância do PT, o seu candidato ao Planalto, que não era o petista, mas Leonel Brizola, nome do PDT. Resultado: pagou um preço ao discursar. "Foram as vaias mais longevas que já ouvi alguém levar", recorda o filho e presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro. "Meu pai começou, dizendo que estava ali, mas que tinha um candidato à Presidência dentro da linha dele de coerência, que era Leonel de Moura Brizola", narra Eduardo Monteiro. 

Na sequência, nenhum dos que foram ao microfone, entre eles Arraes e Roberto Freire, fez defesa candente de Armando Monteiro Filho. Até que o próprio Lula tomou a palavra. "Tem, aqui, um homem de bem, coerente. Ele fez o que um homem de bem faz, defendeu o candidato dele, ainda que arrostando, aqui, incompreensões. Este é um homem de bem. Este homem, hoje, me conquistou", recorda Eduardo, emocionando-se. A relação de Lula e Armando Monteiro Filho foi selada, ali, naquele episódio e estendeu-se. Ao realizar viagem a Cuba, quando visitou Fidel Castro, em 2000, o petista, que ainda não havia assumido a Presidência da República, mas estava em ascensão, convidou Armando Filho para acompanhá-lo. Eduardo Monteiro foi junto. Armando Monteiro Filho foi personagem e protagonista de um tempo em que a palavra e as posições eram mantidas com mais frequência na política. Como descreve Mario Helio na biografia que assina, o ex-ministro era um político que acreditava que a conquista do poder tem sentido quando o eleito "assume e aceita ser simples servidor (...) não havendo nenhuma outra vantagem nisso". Mario Helio projeta que, talvez, o futuro "dê razão" ao otimismo de Armando", cuja despedida, aos 92 anos, se deu no início de um ano, que será marcado por eleições, num momento em que o País convive com o sentimento de devastação da política em meio a crises sucessivas. Nas palavras do deputado Silvio Costa: "Dr. Armando é um exemplo que fica para todas as gerações. (...) Não é apenas um homem de seu tempo, é um homem que tem caráter pedagógico, deixa o exemplo de que é possível fazer política com dignidade".
Coroa de flores enviada por Lula

Coroa de flores enviada por Lula - Crédito: Folha de Pernambuco

Uma delas era de Lula 
Entre as inúmeras coroas enviadas em homenagem a Armando Monteiro Filho, uma delas estava assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo pessoas próximas, telefonou para o senador Armando Monteiro Neto, anteontem, para prestar solidariedade.

Do PSB para... > Presidente da Câmara, Rodrigo Maia chegou ao Cemitério Morada da Paz acompanhado dos deputados Heráclito Fortes e Fernando Monteiro. No caminho, Maia e Heráclito combinaram a data do ato de filiação dele ao DEM.

...o DEM > Heráclito se filia ao DEM entre 15 e 20 de janeiro. Haverá ato para ele e Átila Lira. Rodrigo Martins migra em março. 

Filiados > Dos que saíram do PSB, como Heráclito, Tereza Cristina e Fábio Garcia já se filiaram ao DEM também. 

Um deputado > O ministro Fernando Filho garante que ingressará no PMDB. Aguarda decisão da Justiça de Pernambuco.

Fonte :Folha de PE.

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