Pouca receita, muita despesa e gestores incompetentes

Publicado em 09/01/2019 às 12h00

Amanhã, dia dez de janeiro, as mais de cinco mil prefeituras brasileiras receberão o primeiro repasse de 2019 do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no valor de R$ 3,1 bilhões. Se somada ao Fundeb, verba carimbada para a Educação, que também cairá nas contas dos municípios, essa cifra sobe para R$ 3,9 bilhões, segundo informou a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ontem. Pois essa dinheirama toda, apesar de sustentar a imensa maioria das prefeituras, pouco ajudará os prefeitos a fazerem algo além do mínimo necessário, tirando, por exemplo, alguma promessa de campanha do papel.

As prefeituras brasileiras – e Pernambuco não é exceção à regra – têm receitas insuficientes, algumas chegam até a ser motivo de piada, para um volume avassalador de despesas, que só cresce diante de uma crise sem fim; 13 milhões de desempregados precisando do Estado; e da ineficiência da imensa maioria dos gestores. E o que fazer para mudar esse cenário? Só o estabelecimento de um novo Pacto Federativo, onde estados e municípios fiquem com uma parcela maior de tudo que se arrecada, não é o suficiente.

É claro que uma divisão 70% a 30%, onde a União abocanha a maior parte, é inglória; coisa de país que não é sério. O Municipalismo é uma bandeira que qualquer político que tenha real compromisso com seu povo deve empunhar – um novo presidente é, também, uma nova oportunidade de se corrigir as distorções históricas. Apesar de que ninguém quer abrir mão do seu. Não vi até hoje um presidente sequer realmente comprometido com a causa; só discurso!

Mas o problema vai além do estrutural. É de recursos humanos também. A grande maioria dos prefeitos brasileiros, e até alguns governadores, são péssimos gestores. Esse quantitativo aumenta quando contamos os secretários e demais cargos de chefia. Quem vive na política tem sempre uma história para contar de algum prefeito que se desiludiu logo ao assumir o mandato. Nem todo bom político é bom gestor. Quando se junta tudo isso no balaio – crise, falta de capacidade e poucos recursos – é que pintamos o cenário desse Brasil onde estamos vivendo. E as perspectivas, infelizmente, não são as melhores.

A fórmula – Os políticos não são diferentes dos outros profissionais de qualquer área. São gestores, que precisam estudar muito, se capacitar a todo momento, conhecer de administração pública e ter a sensibilidade para entender que governar é elencar prioridades. Essa é a fórmula, dizem os entendidos. De fora parece fácil, mas está longe de ser. O caminho é árduo, longo, e, na maioria das vezes, ingrato. E muitos preferem colocar a culpa nas circunstâncias.

Case – E olhe que, no caso de Pernambuco, temos um municipalismo forte, capitaneado pela Amupe, que mudou de patamar sob o comando de José Patriota, prefeito de Afogados da Ingazeira. Bem administrada, com a noção da sua representatividade, a associação tem oferecido diversas capacitações aos prefeitos, além de assistência 24 horas a esses gestores e seus secretários, em todos os segmentos da administração pública.

Faltou uma maca – Para se ter ideia de como a falta de gestão é um problema sério, um paciente com lesão no fêmur, mas já de alta do Hospital Geral do Agreste, em Caruaru, não conseguiu voltar para sua casa, em Gravatá, porque a Secretaria de Saúde gravataense até tinha ambulância para o transporte, mas não tinha maca para acomodar o doente. Aí eu pergunto: isso é só falta de dinheiro ou um problema, sobretudo, de gestão? A segunda opção, lógico.

 

Me manda um zap! – Diante desse caos, a coluna vai disponibilizar um espaço todos os dias para que você, leitor, cidadão participativo, informe sobre um problema da sua cidade. A ideia, senhores prefeitos e secretários, é ajudá-los a solucionar esses entraves. Jornalismo é isso! O número vocês já sabem, é o (81) 99198-0838. Também tem o Instagram @arthurhbcunha, por onde também podem mandar essas sugestões.

CURTAS

MANIFESTO – Outro problema das gestões em geral: realizar concursos e não chamar os aprovados. Foi o que aconteceu em Orocó, no São Francisco. Tanto que um grupo de candidatos, que passou em um certame para a prefeitura local, produziu um manifesto para cobrar do prefeito George Gueber que ele faça as nomeações. O problema é que o concurso, com validade de dois anos, já venceu.

ANIVERSÁRIO – Com 129 anos de história, São Lourenço da Mata, na RMR, celebra, nesta quinta, seu aniversário com grandes eventos. Entre as atividades promovidas pelo prefeito Bruno Pereira, a inauguração de ruas e uma praça; bem como uma missa solene, apresentações de movimentos artísticos locais, hasteamento da bandeira, corte do bolo e show com Michelle Melo.

BANCADA FEDERAL – O governador Paulo Câmara reúne os deputados federais pernambucanos com o objetivo de debater pautas de interesse do estado nas áreas social, econômica e hídrica. O encontro será às 9h de hoje, no Palácio. Na semana que vem, o socialista, que já procurou o presidente Bolsonaro, vai convidar os três senadores para conversar.

Perguntar não ofende: Cadê Temer que ainda não foi preso?

Por Arthur Cunha – especial para o blog.

Fonte : Blog do Magno Martins. 

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