Criação de equipe interministerial para Região divide nordestinos

Publicado em 10/01/2019 às 20h00
Após pressão, Bolsonaro muda de ideia sobre a base militar dos EUA no Brasil
Após pressão, Bolsonaro muda de ideia sobre a base militar dos EUA no BrasilFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O anúncio da criação de uma equipe interministerial para tratar alternativas de desenvolvimento e atendimento para o Nordeste, realizado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), tem dividido as lideranças da região. 

De acordo com Lorenzoni, "de seis a oito pastas" terão que dar atenção especial à educação, saneamento, saúde e irrigação locais. No Nordeste, Jair Bolsonaro (PSL) concentrou o maior índice de rejeição do eleitorado e os governadores nordestinos têm apresentado oposição ao projeto político do presidente. 

Para o governador Paulo Câmara (PSB), que solicitou uma audiência com Bolsonaro, "toda iniciativa que possibilite a discussão sobre o Nordeste é válida e contará com o nosso apoio".

vice-governadora, Luciana Santos (PCdoB), declarou que "recebe bem" a notícia de "alguma iniciativa" para discutir o desenvolvimento do Nordeste. "Para além dos desafios, temos experiências inovadoras que esse grupo interministerial pode conhecer, se aproximar e desenvolver conjuntamente. A superação da desigualdade regional, como sempre defendemos, é estratégica para o desenvolvimento do País", disse. 

O deputado federal André de Paula (PSD), por sua vez, considera que a decisão pode representar uma aproximação do presidente, sobretudo "porque aqui foi uma região onde ele não teve sucesso eleitoral". 

No entanto, espera "ações concretas para materializar um tratamento especial com o Nordeste". Já o deputado federal Danilo Cabral (PSB) enxerga o anúncio como uma reação aos primeiros movimentos realizados pelos governadores nordestinos. 

"Eu vejo isso como uma resposta à pauta colocada pelos governadores, da própria solicitação de agenda do governador Paulo Câmara para se reunir com ele, da própria constituição da frente parlamentar em defesa do Nordeste. De certa forma, isso contribui para que seja instaurado um ambiente de diálogo sobre essa questão dentro do próprio governo", disse. 

O atual líder do Governo da Assembleia Legislativa do Maranhão, Rogério Cafeteira (DEM), declarou que recebeu a notícia com uma boa perspectiva, esperando que, assim como os presidentes esquerdistas que o antecederam, ele dê continuidade às políticas públicas para a região. Para o deputado maranhense, "ser ou não aliado político dos governadores do Nordeste deve estar acima de todas as questões". 

Por outro lado, o líder da bancada do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), pondera que a criação de grupos de trabalho não sinaliza, na prática, uma ação efetiva. Para ele, é preciso que se determine prazos. 

"Quando não se quer fazer muita coisa se cria um grupo de trabalho. Eu vejo que a gente precisa primeiro ver quais serão os componentes e os prazos de implementação de medidas que sejam benéficas para minimizar as dificuldades que o Nordeste passa, para não ser mais uma atitude que possa ser considerada como bravata", disse. Figueiredo acrescentou, ainda, que a "questão do Nordeste é extremamente conhecida" e que espera que não seja tratada em "caráter secundário".

Seguindo a mesma linha, o deputado federal Paulão (PT-AL), ressalta que já existem instrumentos que podem ser utilizados pelo governo, a exemplo da Sudene e do Ministério da Integração.

"Criar uma comissão é dourar pílula, criar um factóide para empurrar com a barriga", disse. O petista acredita que Bolsonaro está "criando um factóide para desviar o problema principal".

Fonte :Blog da Folha de PE.

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