Prefeito de Camaragibe mandou ameaçar servidores e teve pedido de prisão negado, diz polícia

Publicado em 27/03/2019 às 21h00
Demóstenes Meira (PTB), prefeito de Camaragibe
Demóstenes Meira (PTB), prefeito de CamaragibeFoto: Felipe Ribeiro/Arquivo Folha

O prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB), teria ordenado ameaças à vida de um vereador da cidade e de uma servidora pública. Os dois seriam testemunhas ligadas à Operação Harpalo, que investiga um esquema de corrupção na prefeitura que teria desviado pelo menos R$ 64 milhões durante a gestão do petebista, iniciada em 2017. A informação foi divulgada pela delegada Jéssica Ramos em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (27), na sede do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em Tejipió, na Zona Oeste do Recife.

Segundo a delegada, as duas testemunhas foram beneficiadas com medidas protetivas na operação e teriam recebido as ameaças de pessoas ligadas ao prefeito. "As ameaças eram para 'não falar nada do que soubessem' e 'tomassem cuidado para o que pudesse acontecer'", detalhou.

A PCPE ainda pediu a prisão preventiva e afastamento do prefeito e dos demais envolvidos investigados, mas a solicitação foi negada pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco Mauro Alencar. "Existiam elementos de obstrução à Justiça. O desembargador responsável pela decisão entendeu que, no caso desse contrato, não existia risco ao erário público, pois era um caso antigo", esclareceu a gestora do Draco, Silvana Lélis.

A sequência das investigações pode resultar em um novo pedido de prisão e afastamento de Demóstenes Meira. "O desembargador não descartou a possibilidade de acordo com as outras investigações", acrescentou a gestora.

Resposta da prefeitura
Em nota enviada ao Blog da Folha, a Prefeitura de Camaragibe afirmou que todos os processos de licitação da gestão têm sido realizados de forma transparente e legal. "O órgão municipal irá aguardar as investigações para que todas as medidas legais e necessárias sejam tomadas, a fim de que tudo seja esclarecido", esclareceu.

Resposta do TJPE
O TJPE afirmou em nota que o desembargador Mauro Alencar deferiu algumas medidas cautelares requeridas pela autoridade policial e pela Procuradoria da Justiça. As investigações ainda não foram concluídas e novos subsídios devem ser coletados para dar sequência à operação.

Confira a nota na íntegra:
O desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Mauro Alencar, é o relator do inquérito policial que apura supostos crimes praticados pela Administração Municipal de Camaragibe. O magistrado informa que, analisando os autos, deferiu algumas medidas cautelares requeridas pela autoridade policial e pela Procuradoria da Justiça. No entanto, como a investigação ainda não foi concluída, outras medidas ainda poderão ser adotadas para subsidiar eventual oferecimento da denúncia pelo procurador geral da Justiça. Por fim, informou o desembargador relator que o inquérito tramita no âmbito do TJPE sob sigilo, e qualquer pronunciamento do Judiciário fora dos autos poderá prejudicar a fase inquisitiva.

Fonte : Blog de Folha de PE.

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